Uma tristeza pairou no ar

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Esta postagem é um registro para a posteridade deste blog. Espero que ele dure até o fim da recessão que a Miriam Leitão e Sadenberg estão prevendo. Para tanto, reproduzo ao final da mesma, as notas fúnebres que ambos expediram hoje sobre o final da crise financeira mundial e, também, sobre o início da grande recessão que assolará o planeta no século XXI.


Foi com um certo tom melancólico que a dupla Miriam Leitão e Sadenberg encerrou suas postagens deste mês. O derretimento não durou o quanto eles esperavam ou queriam. Azar da pré-campanha do Serra, que vai ter que arrumar outro mote para desbancar a popularidade do Presidente Lula.

Enquanto isto, Lula festeja a bonança do Brasil com os camaradas de Cuba e, aproveitando a onda, tirando aquele sarro do FMI e de todo o sistema financeiro internacional.

Com o aparente estancamento da crise financeira, graças à mega estatização promovida pelos EUA e Europa, restou aos dois estafetas prenunciar a grande onda recessiva que está por vir e que deve durar até o Serra tomar posse.

Mas a Miriam esqueceu de combinar o prazo da recessão com o seu executivo predileto, o presidente da Vale, Roger Agnelli, que em entrevista no final da tarde de ontem, disse acreditar numa normalização dos mercados já no segundo trimestre de 2009.


Na CBN - por Míriam Leitão - 31.10.2008 - 14h29m
A boa notícia: mês de outubro acaba hoje!


Hoje é o último dia do mês de outubro. Ufa! É uma ótima notícia, porque o mês foi simplesmente caótico.

Foi o pior mês dos últimos anos, com quedas fortes nas bolsas, congelamento do crédito, e a recessão americana contaminando outras economias pelo mundo.

A volatilidade foi muito forte, e aqui no Brasil tivemos o impacto nas empresas que fizeram operações apostando na valorização do real.

Agora em novembro vamos continuar olhando para os sinais da recessão, mas o auge da crise financeira parece ter ficado para trás.

Esta semana tivemos o Fed abrindo uma linha direta de financiamento com as economias emergentes robustas, como Brasil, Coréia do Sul e México. Tudo sem as enormes condionalidades a que o país era submetido quando pegava dinheiro com o FMI.

Já o Fundo, que ficou em segundo plano nesta crise, voltou a emprestar para países menores.

Na quarta-feira, o Fed abaixou os juros para 1% e o BC brasileiro decidiu pela manutenção da taxa em 13,75%. Com o agravamento da crise, a própria desaceleração mundial deve derrubar os nosso preços.

Hoje, a Vale anunciou corte de produção e férias coletivas. Era inevitável diante da demanda por parte dos produtores de aço, como a Arcelor-Mittal e outras siderúrgicas da China.


Sai a crise financeira, entra a recessão
por Carlos Alberto Sardenberg em 31/10/2008 às 11:11

A crise amainou no lado financeiro, mas mostrou sua cara no lado real. Este é o resumo da semana.

No lado financeiro, talvez esta tenha sido a melhor semana. Medidas anunciadas pelos governos e bancos centrais começaram a funcionar e produziram um resultado notável: acabou o pânico, aquele sentimento desesperador de que o mundo estava à beira de um colapso financeiro, com quebradeira de bancos e clientes, empresas e pessoas, perdendo depósitos e investimentos.

Isso acabou. Não haverá esse colapso, tal é a convicção hoje. Em consequência, o fluxo de empréstimos começou a dar sinais de vida. Longe da normalidade, mas também longe da paralisia de semanas anteriores. Foi esse ambiente que as bolsas celebraram até quinta.

Mas a semana termina com a crise mostrando sua cara no lado real, especialmente para nós, brasileiros. O sinal mais forte veio hoje cedo, da Vale, que anunciou uma redução em sua produção mundial de minério de ferro, níquel, alumínio, ferro-liga e outros produtos. A razão: a óbvia desaceleração da economia mundial.

Na quinta, montadoras de veículos haviam anunciado férias coletivas, para reduzir a produção e “adequá-la” ao consumo em queda.

No lado externo: a Vale, que cresceu espetacularmente com base no crescimento esperacular da economia mundial, inclusive chinesa, paga o preço agora. A China, até a China está desacelerando.

No lado interno: 70% da venda de automóveis se faz no crediário, que havia crescido espetacularmente no Brasil nos últimos anos, graças, entre outras coisas, ao sistema financeiro mundial que ofereceu capital barato. O crédito aperta, as montadoras fecham.

Resumo: saímos da fase do pânico, do medo de colapso iminente, para a longa fase (lenta, cinzenta) da desaceleração/recessão. Alguns crescerão menos, outros andarão para trás.

O que falta saber: profundidade e duração dessa parada.

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