PATRUS ANANIAS - POR LUÍS NASSIF

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Muitos foram aqueles que entenderam que Luís Nassif foi muito duro com Frei Betto nesta postagem, não exatamente por compará-lo com Patrus Ananias, mas por atribuir ao frade dominicano aquela indesejável imagem de falso caridoso.

Mas é bom ter em mente, para não ter que passar como ingênuo, que só se faz políticas de estado no Brasil às sombras de um projeto de poder, pois o ódio das elites nacionais para com os pobres e os não brancos é tão grande, que se o governante não detiver os meios de controlar o poder, os benefícios advindos da riqueza produzida pela nação não chegam ao povo, tamanho é o egoísmo das classes dominantes, que querem tudo para si.

Fora essa alternativa, a outra seria engendrar uma revolução popular, do tipo que pregam aqueles que militam pela extrema esquerda, mas como é sabido, não há solo fértil para tal evento prosperar. Basta ver como reage nossa mídia aos processos políticos que se desencadeiam nos vizinhos Venezuela, Bolívia, Equador e Paraguai.

É neste ponto que dou crédito para as comparações feitas por Nassif, pois de nada adianta os sonhos utópicos de um projeto de nação se não há as condições de governabilidade para sustentá-lo e, ao fazer críticas ao Programa Bolsa Família, Frei Betto só está alimentando a retórica do assistencialismo pregada por aqueles que querem que o povão SIFU.

Nassif está correto, mesmo que pareçam um pouco excessivas suas críticas. Quanto ao Ministro Patrus, não há o que reparar em suas palavras, pois ele é realmente um homem notável e raro de se encontrar, além disso, um político com horizonte ideológico bem delineado, eu diria um político exemplar. Quem nos dera tivéssemos pelo menos mais uma dúzia com ele no Brasil, nem precisaria que estivessem no PT.

Leia também a entrevista de Frei Betto ao Estadão: ''Bolsa-Família é política de governo e projeto de poder''


A ESTRELA E O SANTO
09/03/2009 - Luís Nassif

Frei Betto montou seu marketing se anunciando amigo de Fidel; Patrus Ananias, trabalhando duro na periferia.

Betto leva apoio espiritual a políticos ilustres, jornalistas conhecidos, intelectuais afamados; Patrus se dedica aos pobres.

Betto fez sua opção preferencial pelas celebridades; Patrus, pelos anônimos.

Betto procura os holofotes; Patrus a ação discreta.

Betto tem os pecados capitais da soberba e da inveja; Patrus as virtudes da humildade e da sabedoria.

Betto coloca bandeiras a serviço da promoção pessoal; Patrus iça as bandeiras, e se esconde, com pruridos para não se beneficiar da própria obra.

Betto participou de um programa caótico, o Fome Zero; Patrus criou um programa modelo, o Bolsa Família.

Até hoje Betto busca holofotes para celebrar seu fracasso; raramente se vê Patrus celebrando seu sucesso.

O Fome Zero era um esforço de marketing; o Bolsa Família um trabalho que incorpora indicadores avançados, modelos de gerenciamento e parcerias com o setor privado para as chamadas portas de saída dos miseráveis.

Betto critica o Bolsa Família por não ter porta de saída; o Fome Zero não tinha porta de entrada. Era um mero programa que distribuía alimentos, mas nem contribuições conseguia receber por desorganização ampla e geral.

Em suma, é isso o que explica as catilinárias permanentes de Frei Betto, o soberbo, contra a obra de Patrus Ananias, o humilde. Um é candidato a estrela; outro, é candidato a santo.

No Estadão de hoje Betto volta à carga: “Bolsa-Família é política de governo e projeto de poder”. Nas suas memórias ele atribui o fracasso do Fome Zero à pouca vontade do governo em bancar campanhas promocionais. O fracasso não decorreu da falta de holofotes, mas do excesso de preocupação com o brilho.

Quando ambos morrerem, São Pedro os estará aguardando na porta do paraíso. Betto empurrará Patrus, acelerará o passo para chegar na frente: “Eu sou Frei Betto, amigo do Fidel, do Chico Buarque, orientador espiritual da dona Marise, da dona Risoleta, da Milu Vilella, de psiquiatras, escritores e intelectuais famosos”.

Com paciência, São Pedro o afastará educadamente com um braço, enquanto com o outro indicará a Patrus a entrada. Procissões de anjos celebrarão sua chegada.

Betto não receberá o castigo eterno. Apenas passará uma temporadinha no purgatório, para se livrar definitivamente dos pecados da soberba e da inveja.

Aliás, quando vejo Patrus, o irmão leigo, quase volto a acreditar. Aí vejo Betto, o religioso, e caio na real novamente.

1 Comentário:

Márcio disse...

Língua,

concordamos inteiramente com sua abordagem sobre o tema. O reconhecimento a esta grande pessoa e figura pública que é Patrus Ananias é muito justa e oportuna.

Nós aqui das Gerais sabemos disto há muito e somente agora o resto do Brasil está começando a reconhecer.

Este sim é um verdadeiro homem de esquerda! Na teoria e na prática.

Personalidades como Patrus e Lula que, lutando contra todas as dificuldades, fazem acontecer seus sonhos de justiça social, nos conforta e nos fortalece para continuar aguentando:

1) esquerdistas utópicos, que na verdade estão pouco se lixando para o sofrimento imediato do povo. Estão somente querendo satisfazer suas vaidades de intelectuais e acadêmicos.

2) esquerdistas oportunistas que somente se preocupam com a conquista do poder e com suas carreiras promissoras.

3) direitistas travestidos de “sociais-democratas, modernos e realizadores”, quando não passam de outra roupagem para a mesma coisa: a elite exploradora, egoísta, preconceituosa, mentirosa, manipuladora, corrupta e corruptora.

Parece que o frei Betto se enquadra na segunda categoria.

Ficaria mais satisfeito se esta comparação fosse feita com o Roberto Freire Mineiro, o Pimentel, mas parece que o Nassif conhece bem o mesmo, como mostra a seguinte resposta, sintética e reveladora, a um leitor neste mesmo post aqui citado:

"Prezado, se fosse levada a sério essa história de “forjado no calor das lutas sociais”, proposta de ruptura e outras palavras de ordem, Betto jamais conseguiria o espaço que tem na mídia. O esquerdista de estimação da mídia é ele, não eu nem o Patrus. E a mídia estimar quem fornece o álibi da pluralidade sem significar ameaça."

Um abraço

 

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