MAIS UMA DO MEDIOLI, O CAPO "ARTICULISTA"

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Antes de submeter o leitor e a leitora deste Língua de Trapo à tortura, com mais um editorial do italiano metido a ‘articulista”, que aprendeu a comer a pão de queijo e a ganhar muito dinheiro no Brasil, recomendo a leitura do post Tudo que você precisa saber sobre o caso Cesare Battisti no blog o esquerdopata, com a excelente lição de soberania e asilo político dada por Mauro Santayana, para que você esteja vacinado contra o cinismo fascistóide daquele que pensa que a última coisa que temos para ler é o seu tablóide, o Super Notícia.

E por falar em fascismo, seus sinais já são facilmente identificados em Minas Gerais, onde modernas técnicas de propaganda (choque de gestão) são empregadas para exaltar o Estado e "Il Duce" Aécio Neves, a censura suprime a livre opinião jornalística e a ostensiva arregimentação econômica (comprou o PT, movimentos sociais, artistas) silencia a oposição política, social e cultural. Por questões técnicas, digamos assim, só não se empregou, ainda, a xenofobia explícita (a sócio-econômica já existe) afinal, a quem seria destinado o nobre ofício de lavar as privadas dos nossos líderes?


Tarso botou fogo em Roma

Tarso Genro possibilitou mais um desgaste ao Brasil tomando uma decisão indefensável em relação a um país parceiro como a Itália. Pautou entre italianos a revisão do conceito Brasil. Por conta do asilo político concedido a um delinqüente comum, apresentado de terrorista, mas condenado duas vezes à pena máxima por homicídio e outras duas vezes a 40 anos de cadeia por participar de assassinatos torpes.

A situação tomou um vulto que aqui não se imagina. Os sites dos principais jornais italianos pululam de milhares de manifestações inconformadas e transpiram de ódio nacionalista contra o Brasil que nada tem a ver com isso. Mas lá ninguém sabe ou ouviu falar de Tarso Genro, acham que se trata de um complô tupiniquim contra o povo italiano enlutado por centenas de mortes que marcaram os anos 70.

O beneficiado por Genro é um tal de Cesare Battisti que levou a imprensa italiana a derramar rios de tinta nos últimos 20 anos. Pivô de uma guerra entre a França que lhe deu asilo e o povo italiano que foi vitimado.

Battisti é um dos fundadores de uma facção dissidente das Brigadas Vermelhas (BV), batizada de Proletari Armati per il Comunismo (PAC), a sigla casualmente é igual ao principal programa do nosso governo. Nesse pequeno grupo se abrigam as escórias delirantes do movimento armado de extrema esquerda dos anos 70, um grupelho de "sem cabeça" constituído de 50 indivíduos que mal sabiam escrever e falar, viveram do carpe diem, de assaltos indiscriminados e se extinguiram rapidamente como barra de gelo ao sol. Deixaram um saldo de vítimas inocentes, assassinadas para dar recado que os PAC existiam e pretendiam castigar o mundo.

O retrato da desorganização terrorista que era o PAC, fornecido pelos "pentiti (arrependidos) que se beneficiaram de acordos com a Justiça para diminuir suas penas, é de anarquia, primitivismo, selvageria e violência repulsiva. Nem as Brigadas Vermelhas que se responsabilizaram por 300 assassinatos, sequestros seguidos de tortura e morte, como de Aldo Moro, bombas em trens, estações, bancos, fuzilamento, tolerava em suas fileiras a presença dos PAC.

Battisti revela à revista "Paris-Match" que ele e seus camaradas eram "comunistas anti-stalinistas". Quer dizer a versão gauche de "nazistas anti-hitlerianos".

Tentar colocar atenuantes às ações e ao pensamento fátuo e doentio de Battisti e corriola, perpetrados num país como Itália sob regime de "democracia parlamentar" é empreitada de um desabrido como o ministro Genro.

Battisti passou por exaustivos processos na Justiça comum, a mesma que atazana Berlusconi. Foram magistrados de esquerdas que condenaram o delinquente italiano, pela morte de dois policiais que ofereciam apenas facilidades a uma execução sem riscos. Pesam ainda sobre Battisti os homicídios por vingança de dois comerciantes (um açougueiro e um joalheiro) que, em circunstâncias parecidas, conseguiram se defender das rapinas do PAC. Os camaradas "pentiti" revelaram que Battisti teria condenado à morte os dois comerciantes para "pôr moral" nos PAC. Battisti foi condenado a duas penas: a prisão perpétua e mais 40 anos de cárceres, lá onde as provas eram irrefutáveis.

O caso do joalheiro, em especial, comoveu a Itália inteira por ter deixado um filho do morto paraplégico, alvejado que foi pelo próprio pai ao tentar se defender enquanto caía sob o fogo das armas de Battisti e seus cúmplices.

Genro agraciou um sujeito dessa envergadura, alegando temor que a Justiça italiana possa deixar de lado a isenção. Piada.

Battisti conseguiu preencher sua ficha com quatro assassinatos nos primeiros 22 anos de existência, depois viveu de facilidades e dinheiro recebido de anônimos fundos de amparo aos terroristas de esquerda.

Ao ser algemado em Copacabana quando recebia uma polpuda mesada, proveniente do exterior, surgiu a suspeita que Fidel Castro e o magnata Hugo Chávez abasteceriam esses sujeitos emblemáticos para o socialismo.

Battisti teria chegado da França, em 2004 (era Lula), com carta de recomendações e aconselhado por serviços de inteligência dos países mantenedores do fundo que o sustentam.

Mas Battisti deveu muito a François Mitterrand que devotava uma especialíssima atenção aos refugiados políticos. O ex-presidente, socialista, em 1944 foi o máximo dirigente de um movimento de ajuda aos refugiados políticos da 2ª Guerra, sendo defensor de gregos e troianos que chegavam à sua guarida. Mitterrand, apelidado de "le Florentin" pela sua atuação maquiavélica, abriu Paris, como presidente eleito, a Battisti, que vivia no México, e se transformou sem sucesso em um escritor de contos policias. Suficiente, entretanto para se apresentar como escritor e intelectualizado. Detestado pelos italianos, Battisti serviu "ad hoc" ao presidente francês para alimentar uma rivalidade milenar com a Itália que agrada os franceses. Em especial, os nacionalistas como fizeram de Zidane um herói pela cabeçada que estendeu o jogador italiano Materrazzi. Zidane foi premiado pela anti-esportividade contra um italiano, Mitterrand agiu nessa surrada linha de bairrismo usando Battisti.

A França não esconde um complexo de inferioridade com a Itália que precisa de vitórias rasteiras, ao par que a Itália não consegue se regozijar na reciprocidade. A França nasceu de uma costela do império romano, Napoleão, a maior personalidade francesa do último milênio, morreu falando o sotaque italiano de Aiaccio (Córsega) onde nasceu. A maior estadista, uma espécie de mãe da pátria francesa, foi a florentina Catarina de Medicis e agora só falta a turinesa Carla Bruni tirar o sovaco floral de Paris que tem na Gioconda de Leonardo sua obra artística mais admirada.

De ideologia, de socialismo, de intelectualidade, não tinha nada em Mitterrand quando abrigou o terrorista agraciado agora por Genro, era mais um gesto que consagrava sua fama de "le Floretin". No caso de Genro, consagra outra de extremista radical.

Battisti está mais próximo de um delinquente comum, uma escória que as Brigadas Vermelhas não conseguiram digerir, um caso "trash" de comunista anti-stalinista.

Quem ganha é ele encontrando no Brasil a republiqueta de seus sonhos, a mesma que empacota em 24 horas, sem direito a qualquer assistência de advogado, dois pugilistas escapados do gueto de Fidel, e consegue dar asilo a um serial killer como Battisti.

O gesto estudado por Genro botou fogo em Roma, a revolta se alastra. Milhares de mensagens dirigidas aos jornais bombardeiam o Brasil, incitam ao boicote de seus produtos (que em breve será esquecido), mas acende o nacionalismo mais inconsequente que quer a expulsão de 150 mil travestis e prostitutas e move o vice-prefeito de Milão, cidade mais comovida pelos assassinados de Battisti, a pedir que Milan e Inter se livrem de suas estrelas brasileiras.
( QUÁ QUÁ QUÁ QUÁ QUÁ )


E já que ninguém ouviu falar de Tarso Genro, o movimento "vítimas do terrorismo dos anos 70" (349 mortos e 756 portadores de sequelas) acerta o peito de Lula que é acusado de dar abrigo a delinquentes sanguinários.


E-mail: vittorio.medioli@otempo.com.br

5 comentários:

mosca disse...

confesso que não tenho muita informação sobre o caso, portanto, também não tenho posição. mas uma coisa me ataranta: por que os articulistas que vêem um "apoio ao terrorismo" na concessão de refúgio não atribuem os mesmos adjetivos à França, que já deu guarida ao sujeito? "França protegeu terrorista" - taí um belo título!

Lingua de Trapo disse...

Não é?

IAMoraes disse...

"por que os articulistas que vêem um "apoio ao terrorismo" na concessão de refúgio não atribuem os mesmos adjetivos à França?": porque aa epoca da ajuda francesa ele tinha dinheiro e a Franca estava fazendo o que os "articulistas" fazem no Brasil, ficando do lado do dinheiro. Hoje os "articulistas" estao contra ele porque ele nao tem dinheiro.

Lingua de Trapo disse...

Resposta rapidinha: Oportuni$$$tas$$$

Gilson Raslan disse...

Abaixo um e-mail que enviei ao ex-deputado tucano.


Medioli,

Pelo visto, você não leu a MOÇÃO DE APOIO da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal pela atitude do Governo Brasileiro; você não leu o manifesto firmado por dezenas de intelectuais, professores universitários, jornalistas, advogados, elogiando a decisão do Governo Brasileiro; você não leu nem ouviu vários juristas importantes afirmando que a decisão do Governo Brasileiro está de acordo com nossa legislação (nossa dos brasileiros, porque você é italiano); você não leu o artigo do grande jurista Dalmo Dallari.

Aliás, você não leu nada, pois, caso contrário, não teria destilado esse veneno mussoliniano contra as autoridades brasileiras.

Você, como ex-deputado, devia saber que o Brasil está impedido por leis brasileiras de extraditar pessoas condenadas a prisão perpétua, regime que nossa Lei Magna não consagra.

Você, como ex-deputado, devia saber que o Brasil passou a ter soberania desde a eleição de Lula.

Te conheço, cara. Você e seu PSDB não se contentaram em entregar o nosso patrimônio, a troco de banana podre, ao capital estrangeiro. Vocês querem mais, muito mais: querem entregar a nossa soberania, mas isto só vai acontecer quando e se vocês voltarem ao poder.

Não está satisfeito com o Brasil? Volte para a Itália, faça o mesmo caminho do Cacciola. Quem sabe um dia você faça o caminho de volta, portando um par de algemas.

 

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