Para Vereador, você vai votar em quem?

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Bem, opções não faltam e, também aqui em Belo Horizonte quanto em qualquer outro município, tem candidato para todo gosto. Como sempre, o dia da eleição, chamado pela mídia de dia da festa da democracia, é precedido pelo período de propaganda eleitoral que, em particular, prefiro compará-lo, ao mesmo tempo, a um teatro dos horrores e a um circo de bizarrices.


Só há uma coisa parecida com isto no Brasil, os vídeos produzidos pelos participantes do Big Brother Brasil.


Tudo isto seria cômico se não nos custasse nada, ao contrário, os partidos políticos são financiados com dinheiro público, nosso dinheiro.

É evidente que a maioria dos bizarros postulantes a vereança municipal são eliminados já que, são apenas 41 cadeiras para mais de 1068 candidatos.

Embora isto ocorra, supostamente para o nosso bem, o apurar das urnas acaba nos revelando como eleitos ex-jogadores de futebol, repórteres, narradores, cronistas, presidentes de clube, pastores, membros de corporações militares, líderes de associações, dentre outros, além, claro, daqueles que são cacifados por empresários para fazer representar seus interesses junto ao poder público municipal.

Tudo isto reflete um legislativo marcado pela força corporativista e com danos nefastos para a população. É, marcadamente, carreirismo político, com busca de prestígio e prerrogativas especiaias. Nada há de republicano nisto!

Você cidadão, quando na segunda-feira, tomar conhecimento dos candidatos eleitos, constatará o que estou dizendo e, dentre os que se elegeram serão poucos, mais poucos mesmo, que merecerão nossa credibilidade para o dever constitucional que deverão desempenhar.

Num retrospecto geral, os candidatos são eleitos por possuírem algum histórico de visibilidade pública que é capitalizada para a obtenção de seus respectivos mandatos sem, contudo, terem prestado quaisquer serviços que tenham sido efetivamente úteis à sociedade.

Quero deixar claro uma coisa, não estou aqui fazendo juízo do caráter nem tampouco da honestidade destas pessoas, mas vamos e convenhamos, quais são mesmos os vínculos que estes representantes tem conosco? Quais os compromissos que foram assumidos, formalmente, com a população? Ele é do meu bairro, ou de pelo menos da minha região, conhece nossos problemas ou só vem aqui de quatro em quatro anos?

Não é difícil encontrar, em qualquer parte da cidade, problemas que ficam insolúveis por anos a fio tais como buracos, esgotos entupidos, sinalização de trânsito, postos de saúde, escolas, etc. Isto demonstra, claramente, que o nosso voto não vale nada pois não vincula o mandato do vereador a solução dos problemas.

Pesquisas recentes e recorrentes demonstram que mais de 70% dos eleitores não se recordam dos candidatos em que votaram na última eleição, tanto ao nível municipal, estadual ou federal.

Se setenta por cento não sabe em quem sequer votou, como é que podemos dizer que o eleito A ou B deixou ou não de cumprir suas promessas de campanha?

Bem, neste ponto eu pergunto e deixo este blog aberto para comentários:
- Haveria algo de errado com este sistema?
- É o eleitor o único responsável e, portanto, culpado pelas mazelas praticadas pelos legisladores municipais?
- Será que há alternativa para esta situação?

1 Comentário:

Groo Veiga disse...

São boas perguntas, sem boas respostas, ainda. Acredito que seja um "mix" de desinteresse mesmo por questões políticas ( que acabam refletindo no dia a dia das pessoas) mais uma ausência de pensar pelo coletivo, privilegiar apenas o "individual", ou seja "faço a minha parte e dane-se os outros". Esperar pelo governo parece ser a tônica ( e reclamar nos botecos e filas de banco, também. Se fosse possível organizar essa reclamação toda em um movimento em frente às assembléias das cidades, seria fantástico).

Juntemos isso com um sistema educacional perdido, sem recursos e desmotivado ( será proposital?).

Segunda-feira temo até ver as peças eleitas ou a quantidade de votos que eles tiveram. Sérgio Mallandro, Dinei, LeoKret, e por aí vai...

 

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