Reajamos, brasileiros!

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Num passado não tão remoto assim da nossa história, mais precisamente nos chamados anos de chumbo, movimentos de esquerda lançaram mão das armas para combater um regime que depôs, de forma inconstitucional, um presidente eleito democraticamente. Era o golpe de 31 de março de 1964.

Nesta mesma época, governos sul-americanos, inclusive o do Brasil, lançaram mão dos chamados esquadrões da morte para silenciar, definitivamente, aqueles que se opunham e lutavam pelo retorno da democracia.

Sem entrar no mérito destes eventos e na análise de suas motivações, a única ponderação, que neste momento tenho a fazer, é de repúdio veemente de tais práticas, sejam elas justificáveis ou não para o tempo em que ocorreram ou, para os dias de hoje.

Contudo e, muito provavelmente, estes eventos inspiraram pelo menos dois artigos da carta constitucional de 1988, que são eles:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:
§ 4º - É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar.

Bem, como se sabe, as leis refletem os valores de uma sociedade num determinado contexto histórico, social, político e cultural e, para continuarem tendo eficiência, precisam evoluir no tempo com estas mesmas sociedades.

- Mas o que isto tudo tem a ver com o que vou expor nesta postagem?

Respondo-lhes então:

Primeiro, por que isto tem tudo a ver com um direito que a Constituição Federal nos faculta para mudar nosso destino: O VOTO!

Segundo, por que estou atendendo a um chamado de um cidadão, que assim como eu, partilha deste sentimento de angústia em ver nosso direito constitucional sendo violado, graças às ações inescrupulosas de, infelizmente outros brasileiros, que se acham detentores de mais direitos do que outros.

Embora este cidadão, que se chama Eduardo Guimarães, resida na cidade de São Paulo, os problemas que o aflige e o motivam são comuns a todos os brasileiros, são bem comuns aqui em Belo Horizonte também e, portanto, entendo que exige de nós a mesma postura.

Estamos vivendo um momento singularmente preocupante em nossa jovem democracia, onde a mídia coorporativa tornou-se hoje, o “braço armado” de outros tempos, a serviço dos interesses de alguns grupos políticos e econômicos e das respectivas legendas partidárias que os servem.

Esta nova modalidade de “braço armado” que, para garantir a impunidade de seus atos, unge-se do direito de livre expressão, mas, tem como pano de fundo, de fato, o mesmo objetivo daqueles que serviram, no passado, às práticas repugnantes adotadas para assumir ou garantir o poder e que, por conseqüência, derramou sangue, manchou nossa história e trouxe sofrimento para muitas famílias deste país.

Para dar um contorno específico, vou chamar, a partir de agora, este novo fenômeno delinqüente de neoparamilitarismo, definindo-o, ainda, como uma modalidade de “braço armado” implementado através de cooptação, voluntária ou econômica, de jornalistas e dos meios de comunicação para os quais servem, sejam eles jornais, revistas, rádio, televisão, portais da Internet tendo, como propósito final, manipular sua opinião.

Ao invés das práticas belicistas convencionais, o neoparamilitarismo utiliza a ciência da comunicação social como ferramenta dissuasória do pensamento e, com o fim único de desinformar, dissimular, induzir o comportamento social a determinados padrões e, enfim, fazer você pensar e agir a luz de valores, que são cuidadosamente engendrados pelos interesses daqueles que os financiam.

Para usar uma expressão mais corriqueira, chama-se isto de alienação, ou seja, uma forma de tornar o indivíduo, sistematicamente indiferente e alheio em relação a determinados assuntos, sobretudo àqueles que envolvem responsabilidade política ou social.

É contra esta prática abominável, que se entranhou nas principais redações dos grupos de comunicação deste país que, motiva a mim e tantos outros cidadãos, jornalistas inclusive, ao engajamento necessário para banir esta delinqüência.

Além do mais, se analisados pelo crivo de qualquer jurista, certamente atestaria que esta prática é uma afronta ao que preconiza nossa constituição.

É por esta razão que estou, neste momento, convocando os leitores deste blog a dar sua parcela de cidadania e apoiar também este movimento. Transmita e-mails aos amigos, aos colegas de trabalho ou de faculdade enfim, a quem e quantos você puder.

Não se envergonhe em fazê-lo, pois, é esta a intenção do alienador. Se de tudo você sentir que a sua participação possa lhe comprometer, a Internet possui os meios para que você permaneça oculto ao fazê-lo, contudo, lembre-se bem, você sempre deve agir na forma da lei.

Embora deixe claro neste blog meu posicionamento político, afirmo aos leitores que não tenho quaisquer vínculos ou interesses com partidos, sindicatos, associações ou coisas do gênero, tenho apenas minha consciência e o exercício do livre pensamento que a nossa constituição nos assegura.

Há muito a ser feito e, certamente, muito, também, pode ser feito com pequenos gestos, esforços ou dispêndio do nosso escasso tempo.

Deixo agora para vocês a cópia da postagem do Blog do Eduardo Guimarães e, também, o link para acesso direto.

Muito obrigado e um bom domingo para todos.

Leia aqui o Cidadania.com

Convocação de atos públicos
Reajamos, brasileiros!

Atualizado às 01h42 de 19 de outubro de 2008

Meu nome é Eduardo Guimarães. Tenho 48 anos, sou paulista, paulistano de quatro gerações, tenho quatro filhos (3 mulheres e 1 homem), uma neta de sete anos, trabalho com comércio exterior (sou representante de indústrias brasileiras na América Latina e na África) e jamais, em toda minha vida, tive qualquer relação com partidos políticos, com sindicatos ou com corporações de qualquer espécie.

Há, no entanto, uma exceção nessa minha vida desvinculada de associações com grupos de interesses políticos, ideológicos, financeiros, trabalhistas etc.: no ano passado, fundei, com mais algumas dezenas de cidadãos, uma Organização Não Governamental (ONG), o Movimento dos Sem Mídia (MSM).

A história do MSM, para quem não conhece, pode ser conhecida facilmente em rápidas pesquisas no Google e/ou no You Tube. A ONG foi criada para lutar por uma mídia ética, plural e apartidária.

O MSM, desde sua criação, fez manifestações públicas diante de meios de comunicação (Folha de São Paulo e Tevê Globo) e em praça pública (pelo impeachment de Gilmar Mendes), e tomamos medidas judiciais como a de representar contra esses meios no Ministério Público Federal devido a alarmismo que acreditamos que cometeram ao difundirem que haveria epidemia de febre amarela no país no começo deste ano.

Diante do que está acontecendo, com os meios de comunicação estimulando empresas a demitirem e paralisarem seus negócios a fim de tornarem auto-realizáveis prognósticos de graves problemas econômicos para o país, pretendendo, com essas ações, gerar queda de popularidade do governo federal para aumentar as chances do governador de São Paulo, José Serra, de suceder Lula em 2010, e diante das omissões e distorções da mídia diante de atos de incompetência e de corrupção do governo paulista, como na Segurança Pública ou em licitações públicas, como no caso Alstom, no qual o ministério público suíço acusa o grupo político de Serra de receber propina da multinacional, volto a propor uma atitude aos leitores deste blog.

Ontem à noite (sexta-feira, 17), fui dormir indignado, inconformado e até amedrontado com o que vejo acontecer em meu país. Cheguei a me lembrar da “licença para matar” do personagem do escritor inglês Iam Fleming, o agente secreto James Bond. Só que essa “licença” da mídia ao grupo de Serra inclui, também, roubar.

Vejo os escândalos de distorção dos fatos e de censura pela mídia sucederem-se e aumentarem de gravidade. Recentemente, a imprensa paulista conseguiu influir decisivamente na eleição da capital de seu Estado, fazendo de um péssimo prefeito o vitorioso antecipado da disputa eleitoral, e está conseguindo atribuir a greve da polícia civil ao PT, além de relativizar os erros flagrantes e criminosos da polícia militar no caso do seqüestro trágico das meninas Naiara e Eloá, em Santo André.

Nesses casos todos, a imprensa venceu ou está vencendo. E isso porque sua máquina conta com televisões, rádios, jornais, revistas, internet e com a virtual censura de tudo que ela não quer que se diga. A blogosfera não está conseguindo ser ouvida pelo empresariado ou pelas populações de grandes metrópoles como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba etc.

Ontem à noite (sexta-feira), na ação criminosamente desastrada da polícia paulista no seqüestro de Naiara e de Eloá, enquanto aquela ação se desenrolava sobre suas quatro patas era coberta de forma absolutamente acrítica pelas tevês, rádios e portais de internet servis ao governador do Estado. Nos jornais do dia seguinte (sábado), numa Folha de São Paulo, por exemplo, de questionamento ao trabalho da polícia só se viu uma notinha curta num caderno de assuntos locais, em pé de igualdade com defesa daquela ação inepta, irresponsável, criticada por juristas e por policiais, e com a omissão da informação de que policiais experientes também condenaram a ação.

A mídia está fazendo o que quer, acobertando os desmandos de seu braço político, influindo nas eleições, prejudicando a economia, acobertando corrupção de seus protegidos, acobertando erros de administração que estão causando danos enormes, como a persistência nos problemas nas obras de uma linha do metrô em São Paulo que ameaça cerca de 300 famílias de ficarem sem suas casas.

Pergunta: vamos ficar vendo tudo isso acontecer sem fazer nada?

A internet tem limites. As ações da mídia estão se sofisticando. Vejam que o alarmismo quanto à economia está provocando ações precipitadas na indústria, no comércio, no setor bancário e até por parte de investidores internacionais, que estão reiteradamente sendo “avisados” para se afastarem do Brasil porque ele irá mergulhar em crise grave, e quando o governo Lula tenta conter o alarmismo acusam-no de querer esconder os problemas, de ser alienado e irresponsável.

Pergunto de novo: é isso que interessa aos brasileiros, que sua imprensa diga ao mundo para não confiar na economia do Brasil?

Mencionei a ONG que fundei e que presido, o MSM, porque penso que a única forma de enfrentar a mídia será mobilizando a sociedade para protestar nas ruas, por meio de manifestos e abaixo-assinados, por meio de panfletagem intensa por toda parte, de forma a denunciar os ataques que o país está sofrendo, ataques comandados por meia dúzia de mega empresários de comunicação e por dois partidos políticos (PSDB e PFL).

Mais uma vez, proponho-me a fazer deste blog motor de um levante nacional contra a mídia, de um levante pacífico, cidadão, de denunciação pública dos crimes que esses jornais, revistas, tevês, rádios, portais de internet estão cometendo. Mas tudo dependerá de vocês também, de acharem que chegou a hora de reagirmos.

Algumas vezes fiz chamamentos aqui que receberam grande adesão. Outras vezes foram ignorados. Nem um bom volume de adesões alguns posts convocatórios tiveram. Por mim, tudo bem. Não estou em busca de trabalho voluntário. Tenho meu próprio trabalho, remunerado. Estou apenas me colocando à disposição para ajudar, com este blog, a promover um levante contra os crimes midiáticos.

Se vocês aderirem deixando comentário aqui neste post se dispondo a se mobilizarem, sejam de onde forem, iniciarei um processo de organização de novas manifestações. Sei que em São Paulo, devido ao seu gigantismo, sempre há melhores possibilidades de juntar mais gente. Em outras partes do país, menos populosas, é mais difícil. Mas se envolvermos sindicatos, partidos, movimentos sociais nesta idéia, poderemos conseguir uma reação nacional à mídia. Ou podemos continuar aqui chorando as pitangas.

1 Comentário:

Groo Veiga disse...

Acho que realmente já está na hora de exigir uma imprensa mais séria e que desça do palanque, recolha a lona do circo e abandone os roteiros de terror. Deixo bem claro que não sou PTista e nem acho o governo Lula "maravilhoso", apesar de também não achá-lo esse desastre todo que alguns dizem. Há tempos que acompanho toda essa manipulação que a "grande mídia" tenta impor aos brasileiros e consegue sucesso em certos casos; mas a gota d'água foi a crise econômica. Que é séria, claro. Mas qualquer cidadão que acompanhasse as notícias da crise pela "grande mídia" era logo tomado por um pânico impressionante. Uma das que mais contribuem para a tentar instaurar essa situação é Miriam Big Pig com seus comentários pra lá de apocalípticos. Acho que os blogs podem fazer uma diferença e a partir daí as pessoas disseminar pelas ruas, conversando, debatendo, propondo uma massa crítica. Cada assinatura cancelada de VEJA ou FOLHA já é uma grande contribuição.

 

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