A TRISTE MEMÓRIA NACIONAL

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Editorial de Geraldo Elísio para o Novo Jornal, o último fiapo de decência no jornalismo da capital das Gerais.


M0RAL BRASILEIRA

A mediocridade é um fato consumado / na sociedade onde o ar é depravado. / Marido rico, burguesão despreocupado / que foi casado com mulher burra, mas bela / o filho dela é político ou tarado. / Caixinha, obrigado!

A situação do Brasil vai muito mal; / qualquer ladrão é patente nacional; / um policial, quase sempre, é uma ilusão / e a condução é artigo racionado. / Porém, ladrão... isso tem pra todo o lado! / Caixinha, obrigado!

O rock in roll nesta terra é uma doença / e o futebol é o ganha pão da imprensa. / Vença ou não vença, o Brasil é o maioral / e até da bola, nós já temos general / que hoje é nome de estádio municipal. Caixinha, nacional! A medicina está desacreditada, / penicilina, já é coisa superada. / Tem curandeiro nesta terra pra chuchu. Rio de Janeiro tá pior que Tambaú / e de outro lado, onde está o delegado? / Caixinha, obrigado!

Dramalhão, reunião de deputado, / é palavrão que só sai pra todo lado. / Se um deputado abre a boca é um atentado. / E a mãe de alguém é quem sofre toda vez. No fim do mês... cento e vinte de ordenado. / Caixinha, obrigado! - Caixinha Obrigado, composição e interpretação de Juca Chaves.

Estranho País o Brasil.

Cena 1

Escândalo dos Anões do Orçamento, destacando-se o deputado baiano João Alves, “O Filho da Sorte”, que mais de uma centena de vezes acertou na loteria. Muito barulho e pouco ritmo. Final: comemoração dos “arreglos” em qualquer uma das pizzarias de Brasília, uma cidade onde nunca falta emprego para pizzaiolo.

Cena 1.A

Em Minas Gerais, quase simultaneamente estourou o “Escândalo da ASFAZ”. Nada se “asfez”. O “Tribunal faz de Contas” fingiu que nem existia. E por falar nisto, o que aconteceu com a ex-deputada Elisa Alves?

Cena 2

Por ocasião da morte do “indigitado” PC Farias, de triste figura e memória ao tempo do governo Fernando Collor de Mello e sua Casa da Dinda, que acabou sofrendo impeachment, instaurou-se uma renhida polêmica quanto as circunstâncias da morte do ex-proprietário do “Morcego Negro” e de sua namorada Suzana Marcolino.

Qualquer aluno aspirante a detetive de uma Academia de Polícia é capaz de concordar com o legista alagoano George Sanguinetti: PC Farias não se matou e muito menos matou a sua então namorada. As cenas de descaracterização do local do crime são gritantes e outras provas exorbitantes.

Entretanto, sem grafar uma palavra, apenas com a genialidade do seu traço, o chargista Paulo Marinho, em uma edição de O Globo disse tudo, ao estampar na capa do jornal um cartoon de um enterro de um arquivo carregado por quatro homens de negro, liderados pelo deputado Augusto Faria.

E o assunto também morreu. Ninguém se lembra de PC e muito menos de sua ex-esposa que morreu antes dele em circunstâncias também estranhas. Os filhos de PC eram menores de idade; quem ficou tutelando a herança deixada?

Cena 2.A

Discutindo o então conselheiro Flávio Régis Moura e Castro, o ex-conselheiro Sylo Costa, em plenária aberta ao público, irritado com as intervenções de Moura e Castro indagou a ele:

- Você quer que eu conte tudo o que eu sei?...

Silêncio profundo e fim da sessão.

Cena 3

Em meio a tantos “eventos”, o traficante Fernandinho Beira Mar fugiu das dependências do antigo DOPS, de onde só se sai com pena cumprida, habeas corpus ou morto, se não for a gentileza de alguém por uma razão qualquer “abrir a porta”.

Cena 3.A

Falou-se muito de “gentileza a peso de dólares”. Mas igualmente falou-se de dossiês capazes de implicar muita gente boa.

Cena 0.4

Escândalo do Mensalão. Muitas manchetes em todas as formas de mídia, CPI, e de repente um silêncio incômodo – Lula disse não saber de nada – e indícios de que muita gente de todos os quadrantes político-ideológicos podem estar envolvidas criando-se um dilema: “Se você contar o meu pecado eu conto o seu”.

E para o bem de todos eles e infelicidade geral da Nação, pizzas, confraternizações, abraços e um silêncio que não quer calar.

Cena 4.A

Detalhe: todos os escândalos tem como epicentro Minas Gerais, ou de alguma forma mineiros envolvidos, inclusive o que atingiu Fernando Collor de Mello, pois o vice-presidente era Itamar Franco, que acabou guindado à Presidência da República.

Cena 0.5

Escândalo da “Lista de Furnas” e do “Mensalão Mineiro”. Escândalos onde de verdade a culpa não recai nos parlamentares que fizeram Caixa Dois, o que é um erro sanável. Se eles não declararam os recursos recebidos, basta refazer as declarações e pagar as multas devidas. A culpa, e estas tem de ser apuradas, ficam por contas de estatais que financiaram campanhas com o dinheiro do povo e a quem determinou que isto fosse feito.

Cena 5.A

Os governadores de Minas nada disseram a respeito, o que me fez recordar uma antiga revista especializada em cinema chamada “Cena Muda”.

Cena 0.6

Marcos Valério, a “Memória Viva” do Mensalão, segundo se revela agora, para ficar vivo foi obrigado a “pagar pedágio” ao PCC quando esteve “hospedado” no Presídio de Tremembé, no interior de São Paulo. Ou tudo não passa de uma grande “armação” para que o “Careca Milionário” não volte a ser preso outra vez, ou de fato Valério corre perigo. Aliás, há muito tempo já escrevemos sobre isto.

Cena 6.A

Se tudo for mesmo verdade o Estado Brasileiro, a quem cabe a guarda de qualquer prisioneiro, querendo ou não tem redes conexas com a marginalidade organizada.

Detalhe: também é dito que Valério não fala, que tem dossiês capazes de implicar e derrubar a República.

Cena 0.7

Jarbas Vasconcelos afirma publicamente que "o PMDB quer mesmo a continuidade da corrupção”.

Cena 0.8

O Brasil tem o direito de saber tantos segredos insinuados. O povo brasileiro tem direito à transparência. As autoridades responsáveis devem cobrar explicações. Caso contrário todos pecam por conivência em grau maior, complacência em grau intermediária, omissão e medo irresponsável em grau menor.

Este espaço é permanentemente aberto ao democrático direito de resposta a todas as pessoas e entidades aqui citadas.

1 Comentário:

Maybe Tomorrow disse...

Oi Luiz, excelente seu teatro.Há várias"caixas preta" e não sabem onde estão, somente seus proprietários fernandinho beira mar, marcos valério, daniel dantas e outros por ai. É o salvo conduto deles. Hehehehehehe. Abraços Yvy

 

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