Não estou entusiasmado com a disputa aqui em Minas. O leque de opções, quer na disputa pelo governo, quer na disputa pelo senado, é desanimador. Para o governo, o Anastasia - a continuidade do governo Aécio, que mais se destaca pela publicidade do inexistente e pela fantasia do que por realizações - e o Costa - ambíguo e inseguro. Paro o Senado, Aécio, Itamar e Pimentel estão na dianteira da disputa. Pimentel, um tucano filiado ao PT, é - no meu entendimento - o maior responsável pelo enfraquecimento da esquerda mineira, que, diga-se, nunca foi tão forte assim. Desde que, juntamente com o seu grupo no PT, se alinhou com o PSDB de Aécio para eleger o prefeito de Belo Horizonte, Pimentel trincou uma aliança vitoriosa que vinha a frente da capital mineira há mais de uma década com uma administração exemplar.
Ideologicamente, Anastasia, Aécio, Itamar, Pimentel parecem estar do mesmo lado: neoliberais, que querem administrar o estado como se uma empresa fosse. Mas o estado não é uma empresa, é preciso que alguém diga isso a eles. O Choque de gestão de Aécio e Anastasia - propagandeado em prosa, verso e mímica - é arrocho salarial para servidores, é redução de investimentos em educação e saúde, é propaganda com atores globais, cujos cachês elevados são custeados pelo dinheiro público. Diante do triste cenários que se me apresenta, pensei em anular o voto para governador e evitar os três primeiros colocados para o senado. Agora, ando refletindo se não é hora de romper com a dominação tucana em Minas. Ainda não decidi, mas o Hélio Costa tem errado feio na sua campanha. Em lugar de apresentar propostas concretas e marcar a diferença entre ele e seu adversário ou entre seu possível governo e o governo de seus adversários, ele segue elogiando o Aécio, repetindo um mantra que a imprensa mineira não cansa de repetir há oito anos.
Necessário esclarecer para o eleitor o que é o tal Choque de gestão, mostrar que a única política expressiva na área de saúde do governo Aécio é o fornecimento de ambulâncias, que os profissionais de educação e saúde em Minas são mal remunerados, que os gastos com publicidade são exorbitantes, que a administração mineira foi privatizada e tratada como uma empresa pelo governante. Como se pode depreender não morro de amores pelo governo Aécio.
Mas não se trata de implicância gratuita. A discrepância entre o que o rapaz fala e o que faz é muito gritante. A publicidade governamental aliada a uma proximidade promíscua com a imprensa mineira criou o mito, a fábula Aécio, sobre o qual só se vêem elogios, louvação e aplausos. Não se encontra uma linha, uma sílaba, um ruído na imprensa que deponha contra o neto de Tancredo. Tudo que ele diz e faz aparece na imprensa mineira como produto de uma intangível genialidade, cálculos políticos de alta complexidade.
Desideologizado e politicamente medíocre, este é o mito criado e construído como a promessa de Minas para o futuro.































